Organização Mundial de Saúde afirma que 10% da população
mundial sofre de alguma deficiência auditiva
Márcia Neri
Um estampido, a dor e a sensação de
que os sons não eram mais percebidos da mesma forma.
Há um mês, o músico Adriano Camilo, 32 anos, perdeu
40% da audição do ouvido esquerdo enquanto acompanhava,
com um fone de ouvido, os detalhes de uma canção gravada
por ele e sua banda. "Tive um trauma acústico provocado
pelo som de um prato de bateria, que, por motivos técnicos,
estava bem mais alto que os outros instrumentos. Foi
como se tivesse levado um tapa no ouvido. Sou professor,
trabalho com música há mais de uma década e nunca havia
acontecido nada parecido comigo", lamenta.
Casos como o de Adriano não são raros entre músicos.
A perda auditiva tem relação direta com alguns campos
de atuação. Profissionais que trabalham com armas de
fogo, atuam em pátios de aeroportos, dirigem tratores
ou passam grande parte do dia em ambientes barulhentos
estão mais expostos a danos na audição. O mal também
tem atingido os usuários de tocadores portáteis que
apreciam ouvir músicas em volume bem superior aos considerados
saudáveis. Muitos nem sequer sabem dos riscos que correm.
No Brasil, 30 milhões têm o problema
Segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS), 10% da população mundial sofre de alguma deficiência
auditiva. Dados da Sociedade Brasileira de Otologia
revelam que, no país, cerca 30 milhões de pessoas têm
zumbido no ouvido, um dos sintomas da perda de audição.
A deficiência pode ter origens congênita, genética,
infecciosa, induzida por ruído, toxicidade de alguns
medicamentos ou ser decorrente da idade. "O distúrbio
proveniente do envelhecimento é lento, progressivo e
geralmente acomete pessoas acima dos 60 anos. A perda
auditiva induzida por ruído, porém, seja ele ocupacional
ou recreacional, vem se tornando cada dia mais comum
entre os jovens", afirma o otorrinolaringologista
Jacinto de Negreiros Júnior. "Justamente aí entra
a questão dos tocadores eletrônicos. Hoje, com potência
de até 120 decibéis (dB), eles podem causar surdez permanente
devido à lesão que causam nas células ciliadas dentro
da cóclea", afirma Jacinto.