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CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Audição sob risco permanente.
12/10/09 - 06:43

Organização Mundial de Saúde afirma que 10% da população mundial sofre de alguma deficiência auditiva
Márcia Neri

Um estampido, a dor e a sensação de que os sons não eram mais percebidos da mesma forma. Há um mês, o músico Adriano Camilo, 32 anos, perdeu 40% da audição do ouvido esquerdo enquanto acompanhava, com um fone de ouvido, os detalhes de uma canção gravada por ele e sua banda. "Tive um trauma acústico provocado pelo som de um prato de bateria, que, por motivos técnicos, estava bem mais alto que os outros instrumentos. Foi como se tivesse levado um tapa no ouvido. Sou professor, trabalho com música há mais de uma década e nunca havia acontecido nada parecido comigo", lamenta.

Casos como o de Adriano não são raros entre músicos. A perda auditiva tem relação direta com alguns campos de atuação. Profissionais que trabalham com armas de fogo, atuam em pátios de aeroportos, dirigem tratores ou passam grande parte do dia em ambientes barulhentos estão mais expostos a danos na audição. O mal também tem atingido os usuários de tocadores portáteis que apreciam ouvir músicas em volume bem superior aos considerados saudáveis. Muitos nem sequer sabem dos riscos que correm.

No Brasil, 30 milhões têm o problema

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 10% da população mundial sofre de alguma deficiência auditiva. Dados da Sociedade Brasileira de Otologia revelam que, no país, cerca 30 milhões de pessoas têm zumbido no ouvido, um dos sintomas da perda de audição. A deficiência pode ter origens congênita, genética, infecciosa, induzida por ruído, toxicidade de alguns medicamentos ou ser decorrente da idade. "O distúrbio proveniente do envelhecimento é lento, progressivo e geralmente acomete pessoas acima dos 60 anos. A perda auditiva induzida por ruído, porém, seja ele ocupacional ou recreacional, vem se tornando cada dia mais comum entre os jovens", afirma o otorrinolaringologista Jacinto de Negreiros Júnior. "Justamente aí entra a questão dos tocadores eletrônicos. Hoje, com potência de até 120 decibéis (dB), eles podem causar surdez permanente devido à lesão que causam nas células ciliadas dentro da cóclea", afirma Jacinto.

O Norte


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