Anvisa diz
que recomendou alteração de fórmula de refrigerantes para
evitar contaminação .
05/08/09
- 06:34
da Agência Brasil
Brasília - A Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) garante ter recomendado, em 2007,
que os fabricantes de refrigerantes alterassem a fórmula
de algumas bebidas, sobretudo as de sabor laranja, como
forma de prevenir a contaminação dos produtos pelo benzeno.
Autoridades mundiais suspeitam que a substância, comprovadamente
cancerígena, se formaria a partir da associação entre
dois aditivos químicos usados como conservante e antioxidante.
Segundo a associação de defesa do consumidor Pro Teste,
sete de 24 refrigerantes submetidos a testes continham
benzeno.
A Anvisa diz ter tomado a “precaução”
após o surgimento, nos Estados Unidos, em 2005, de “relatos”
sobre a possibilidade de baixos níveis de benzeno serem
constatados em alguns refrigerantes, provavelmente devido
à associação entre o ácido ascórbico e sais de benzoato
(e não ácido benzóico, conforme anteriormente informado
à reportagem pela associação de defesa dos consumidores
Pro Teste e pelo Ministério da Agricultura).
“Ao analisar a questão, o Codex Alimentarius
(programa conjunto da Organização das Nações Unidas
para a Agricultura e a Alimentação - FAO e da Organização
Mundial de Saúde - OMS) entendeu que faltava e ainda
falta consistência científica para determinar medidas
mais restritivas, não considerando necessário estabelecer
limites para o benzeno nessas bebidas”, sustenta nota
enviada esta tarde à Agência Brasil. Na condição de
signatário do Codex Alimentarius, o Brasil, como outros
países, também não estabeleceu limites para o benzeno
em refrigerantes.
A Anvisa admite que especialistas continuam
discutindo o assunto em todo o mundo, mas cita dados
internacionais para minimizar os riscos da ingestão
do benzeno em refrigerantes. A agência assegura ainda
que a via mais comum de exposição à substância é a respiratória,
sobretudo em áreas de tráfego intenso, proximidades
de postos de gasolina ou onde haja grande concentração
de fumaça de cigarro.
“Segundo a agência que controla alimentos
no Reino Unido, uma pessoa precisaria ingerir no mínimo
20 litros por dia de um refrigerante que contivesse
10 microgramas por litro para ser exposto a mesma quantidade
de benzeno a que está exposto pela respiração nas cidades
todos os dias. Além disso, estima-se que ao consumir
20 cigarros ao dia, a pessoa se exponha a 7.900 microgramas
de benzeno. O fumante passivo está exposto a cerca de
50 microgramas dia da substância”, garante a Anvisa.
Assim, a Anvisa diz ter concluído,
em consonância com o Codex Alimentarius e sistemas reguladores
de outros países, que "não há risco caracterizado
neste momento que enseje o estabelecimento de limites
para benzeno em refrigerantes, semelhantes ao já estabelecido
para a água, conforme solicitados pela Pro Teste. Salientamos,
no entanto, a importância de manter a exposição a este
tipo de substância no menor nível possível e que os
estudos realizados, bem como monitoramentos futuros,
são importantes para o dimensionamento do risco, de
forma que as melhores opções de gerenciamento do risco
sejam adotadas".