Privatização
das telecomunicações ampliou acesso, mas serviços são
caros e ruins, dizem técnicos .
30/07/10
- 06:34
da Agência Brasil
Brasília – Passados 12 anos da privatização
do setor de telecomunicações no Brasil, a oferta de
serviços cresceu 703% e o número de aparelhos já ultrapassou
o número de habitantes do país. No entanto, especialistas
e entidades de defesa do consumidor consideram que os
preços ainda são altos e os serviços nem sempre atendem
às necessidades dos consumidores.
A coordenadora institucional da ProTeste
– Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, Maria
Inês Dolci, disse que é preciso alterar o marco regulatório
do setor, para que os benefícios previstos com as privatizações
sejam concretizados. Segundo ela, além dos altos preços,
o consumidor também sofre com a má qualidade dos serviços,
que é um dos mais reclamados nas entidades de defesa
do consumidor.
“As privatizações tinham o objetivo
principal de trazer a competição para o mercado, preços
mais justos para os consumidores; e nós observamos que
o que existe hoje é uma concentração de serviços dentro
das empresas maiores, é um setor tremendamente reclamado
na defesa do consumidor”.
Para o especialista em telecomunicações
e professor da Escola de Administração da Fundação Getulio
Vargas, Arthur Barrionuevo, as privatizações foram um
grande sucesso na ampliação do acesso ao serviço. “Em
1997 ainda havia fila de espera em telefonia fixa e
móvel, fora o fato de que muita gente alugava linha
telefônica, por causa da escassez, e isso acabou”, avalia.
Mas ele ressalta que os custos da telefonia
fixa e móvel ainda são elevados, principalmente por
causa da tributação e da falta de competição. “Em algumas
regiões existem quase monopólios de algumas empresas,
que reduzem os preços e aumentam as ofertas de maneira
mais lenta”. Para Barrionuevo, ainda falta melhorar
o acesso à banda larga no país, especialmente para a
população de baixa renda.
Segundo a Associação Brasileira de
Telecomunicações (Telebrasil), o total de clientes de
telecomunicações no país passou de 29,9 milhões em 1998,
para 240 milhões atualmente, entre usuários de telefonia
fixa, celular, banda larga e TV por assinatura.
A telefonia celular passou de 7,4 milhões
de clientes, em 1998, para 179,1 milhões, no primeiro
trimestre de 2010. A telefonia fixa saiu de aproximadamente
20 milhões, há 12 anos, para 41,4 milhões.
Os serviços de TV por assinatura saltaram
de 2,6 milhões de assinantes para 7,9 milhões. A banda
larga já alcançou 23 milhões de acessos em todo o país,
considerando a rede fixa, os celulares de terceira geração
(3G) e os modens de acesso à internet pela rede móvel.
Segundo dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), em 2008, 82,1% dos
domicílios brasileiros tinham acesso aos serviços telefônicos
fixos ou móveis. Em 1998, esse percentual era de 32%.