Negros melhoram
posição no mercado, mas ainda ganham menos que brancos
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20/11/09
- 06:43
da Agência Brasil
Brasília - As desigualdades entre negros
e brancos no mercado de trabalho diminuíram de 2004
a 2008, segundo dados do Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para
seis regiões metropolitanas brasileiras. De modo geral,
os números apontam maior inserção no mercado e crescimento
real da renda em proporção maior que a dos brancos.
Um dos indicadores apontados é o aumento
da participação de negros em postos de direção, gerência
e planejamento. A ampliação do percentual de negros
em postos de trabalho qualificados foi identificada
pelo Dieese em Belo Horizonte, Recife e São Paulo. Em
Salvador, o percentual se manteve estável e no Distrito
Federal caiu. Os dados de Porto Alegre não apresentam
esse recorte.
Apesar do crescimento na maior parte
das regiões, ainda há um abismo entre negros e brancos
em relação a cargos de chefia. Em São Paulo, por exemplo,
apenas 5% dos negros ocupados estavam em funções de
direção, gerência e planejamento em 2008, aumento de
0,3 pontos percentuais em relação a 2004. Entre os trabalhadores
brancos, o percentual é de 17,4%.
Em Salvador, onde a população negra
é majoritária e representa mais de 85% da População
Economicamente Ativa, a presença de trabalhadores negros
em postos de comando é três vezes menor que a de brancos.
A maioria dos trabalhadores negros está nas chamadas
funções de execução, grande parte sem qualificação profissional.
O rendimento médio dos negros também
continua inferior aos dos brancos, apesar do aumento
da renda real dos primeiros, de 2004 a 2008, nas seis
regiões pesquisadas. Em Belo Horizonte, a renda média
dos negros cresceu 15,7% no período, metade do aumento
que os brancos tiveram, de 29,7%. “A discreta redução
da diferença entre valores tão díspares não significou
uma melhora consistente daqueles que ganham menos”,
diz o relatório do Dieese.
O rendimento médio por hora de trabalho
entre os negros na região metropolitana da capital mineira
é de R$ 5,03, ante R$ 8,80 recebidos pelos não brancos.
Em Salvador, a diferença é ainda maior. Enquanto a hora
de trabalho dos negros equivale a R$ 4,75, a dos brancos
é de R$ 9,63. De acordo com as análises regionais do
Dieese, a diferença entre valores recebidos por negros
e brancos é menor entre os trabalhadores menos escolarizados.